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Frases, provérbios e ideias imortais. Uma selecção de filósofos, empreendedores, guerreiros, amantes, homens e mulheres comuns que conseguiram expressar e sintetizar numa frase um valor, um ideal, uma visão mais ou menos eloquente do mundo e das pessoas, os anseios e as frustrações, as lições de vida, com os seus desafios e conquistas, actos de solidariedade, esperança e compreensão. Prosa ou poesia, são estados de alma ou momentos de sabedoria. States of soul or moments of wisdom.
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Há Palavras Que Nos Beijam
Cristina Branco canta versos de Alexandre O'Neill
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Há palavras que nos beijam
Alexandre O'Neill
Nos olhos de minha Mãe...
Quando eu nasci,
ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém...
P'ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe...
Pequeno poema
Sebastião Da Gama
Hei de morrer de amar mais do que pude
Soneto do amor total
Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes
Nascemos para amar
Nascemos para Amar
Nascemos para amar; a Humanidade
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura.
Tu és doce atractivo, ó Formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.
Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão na alma se apura,
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.
Qual se abisma nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.
Amor ou desfalece, ou pára, ou corre:
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.
Vida e Morte, Amor e Solidão
A solidão é o destino de todos os espíritos eminentes.
O que torna as pessoas sociáveis é
a sua incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si mesmos.
a sua incapacidade de suportar a solidão e, nela, a si mesmos.
O maior erro que um homem pode cometer
é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem.
é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem.
Sentimos a dor mas não a sua ausência.
Vista pelos jovens, a vida é um futuro infinitamente longo;
vista pelos velhos, um passado muito breve.
vista pelos velhos, um passado muito breve.
Quem não tem medo da vida também não tem medo da morte.
O amor é a compensação da morte.
Schopenhauer
Noite de sonhos voada
Noite de sonhos voada
cingida por músculos de aço,
profunda distância rouca
da palavra estrangulada
pela boca armodaçada
noutra boca,
ondas do ondear revolto
das ondas do corpo dela
tão dominado e tão solto
tão vencedor, tão vencido
e tão rebelde ao breve espaço
consentido
nesta angústia renovada
de encerrar
fechar
esmagar
o reluzir de uma estrela
num abraço
e a ternura deslumbrada
a doce, funda alegria
noite de sonhos voada
que pelos seus olhos sorria
ao romper de madrugada:
— Ó meu amor, já é dia!...
Manuel da Fonseca
Perdão!
Perdão!
Seria o beijo
Que te pedi,
Que te pedi,
Dize, a razão
(outra não vejo)
Por que perdi
Tanta afeição?
Fiz mal, confesso;
Mas esse excesso,
Se o cometi,
Foi por paixão,
Sim, por amor
De quem?... de ti!
...
...
Beijos rubros e ardentes
Horas Rubras
Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos rubros e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...
Oiço olaias em flor às gargalhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas...
Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...
Sou chama e neve e branca e mist'riosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
Florbela Espanca
abandonei-me ao silêncio
Ofício de Amar
Já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras galáxias, e o remorso
um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
...
Já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras galáxias, e o remorso
um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
...
Amor Sem Fruto, Amor Sem Esperança
Amor sem fruto, amor sem esperança
É mais nobre, mais puro,
Que o que, domando a ríspida esquivança,
Jaz dos agrados nas prisões seguro.
Meu leal coração, constante e forte,
Vendo a teu lado acesos,
Flérida ingrata, os ódios, os desprezos,
O rigor, a tristeza, a raiva, a morte,
...
Num eterno beijo o infinito tocamos
[ Para Odile, Dia dos Namorados 2011 ]
Enquanto teu corpo
baloiça no meu
desvairadamente
saio de mim
quando em ti entro
e me deleito
no jasmim
da tua boca
louca
avidamente
sem calma
sem calma
arrepios
nos embalam
a alma
e sem fim
a alma
e sem fim
num eterno beijo
o infinito tocamos
A. do Carmo Pereira (*)
(C) 2011 - Copyright - All Right Reserved by José A.P.Alferes
(Valentine's Day 2011 | Saint Valentin 2011)
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(*) um pseudónimo de José António Pereira Alferes
Copyright © Todos os direitos reservados - por José A. P. Alferes
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Um beijo é culpa?
Beijo
Beijo na face
Pede-se e dá-se:
Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
Vá!
Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
Vá!
Um beijo é graça,
Que a mais não passa:
Dá?
Teme que a tente?
É inocente...
Vá!
Guardo segredo,
Não tenha medo...
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!
*
Como ele é doce!
Como ele trouxe,
Flor,
Paz a meu seio!
Saciar-me veio,
Amor!
Saciar-me? louco...
Um é tão pouco,
Flor!
Deixa, concede
Que eu mate a sede,
Amor!
Talvez te leve
O vento em breve,
Flor!
A vida foge,
A vida é hoje,
Amor!
Guardo segredo,
Não tenhas medo
Pois!
Um mais na face,
E a mais não passe!
Dois...
*
Oh! dois? piedade!
Coisas tão boas...
Vês?
Quantas pessoas
Tem a Trindade?
Três!
Três é a conta
Certinho, e justa...
Vês?
E que te custa?
Não sejas tonta!
Três!
Três, sim: não cuides
Que te desgraças:
Vês?
Três são as Graças,
Três as Virtudes;
Três.
As folhas santas
Que o lírio fecham,
Vês?
E não o deixam
Manchar, são... quantas?
Três!
João de Deus
Do caminho para o êxtase e o próprio êxtase
Sucesso - Desafio e Êxtase
Conviria distinguir bem um do outro: o caminho para o êxtase e o próprio êxtase; o primeiro ainda pode ter algum interesse por todas as lutas interiores, por todas as incertezas, por todo o esforço...
Do êxtase, porém, não alimentamos grandes desejos; o amor que nele descobrimos não pertence à categoria do amor que mais nos interessa — o que eleva o amado acima de si próprio, o que se esforça por esculpir uma alma com entusiasmo e paciência; é um amor a que se chega como recompensa de tarefa cumprida; não marca as delícias do caminho difícil, apaga-as da memória; faz desaparecer do peito do homem o seu único motivo de alegria, a sua única fonte de verdadeira glória.
Viver interessa mais que ter vivido...
...>>...>
Sob o véu da madrugada
Sob o véu da madrugada
Acordo em sobressalto
numa cama nua
sob o olhar da Lua
ergo-me descalço
ergo-me descalço
e sem enxergar nada
vagueio no escuro
num quarto perdido
num quarto perdido
sob o véu da madrugada
não é de gente que passa
a brisa que se sente
a brisa que se sente
só deixaste o teu perfume
e a dor que me abraça
Foi o tempo que parou?
Foste tu que partiste?
Guia-me um astro errante
Guia-me um astro errante
Ou sou eu que não estou?
A. do Carmo Pereira (*)
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(*) um pseudónimo de José António Pereira Alferes
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