Porque o sagrado existe




Invento-te

a cada segundo
do meu corpo

porque o tempo não pára

Celebro-te

em cada respirar
da minha saudade

porque Deus me ensinou a amar

Beijo-te

como seara ao vento
transformada em pão

porque estou faminto de ti

Amo-te

em cada sonho
porque o sagrado existe

e num orgasmo uno de paixão
subo aos céus em teu templo nu

Desço 
à dura realidade
e sorrio

porque 
cada sonho meu

é
um pedaço de TI





Afonso Rocha

Camané - Triste Sorte



"Triste Sorte" Camané - Ao Vivo No Coliseu

Composição:
Letra :João Ferreira Rosa
Musica : Alfredo Marceneiro.

Ando na vida à procura
De uma noite menos escura
Que traga luar do céu
De uma noite menos fria
Em que não sinta agonia
De um dia a mais que morreu


Vou cantando amargurado
Vou de um fado a outro fado
Que fale de um fado meu
Meu destino assim cantado
Jamais pode ser mudado
Porque do fado sou eu


Ser fadista é triste sorte
Que nos faz pensar na morte
E em tudo o que em nós morreu
Andar na vida à procura
De uma noite menos escura
Que traga luar do céu



Cristina Branco - Canção de Embalar






Ao vivo em North Sea Jazz

num  cover 
de uma das obras-primas de Zeca Afonso

doce e relaxante

Hei de morrer de amar mais do que pude



Soneto do amor total


Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.







Vinicius de Moraes





És o esplendor do dia


Estás no verão,
num fio de repousada água, nos espelhos perdidos sobre
a duna.
Estás em mim,
nas obscuras algas do meu nome e à beira do nome
pensas:
teria sido fogo, teria sido ouro e todavia é pó,
sepultada rosa do desejo, um homem entre as mágoas.
És o esplendor do dia,
os metais incandescentes de cada dia.
Deitas-te no azul onde te contemplo e deitada reconheces
o ardor das maçãs,
as claras noções do pecado.
Ouve a canção dos jovens amantes nas altas colinas dos
meus anos.
Quando me deixas, o sol encerra as suas pérolas, os
rituais que previ.
Uma colmeia explode no sonho, as palmeiras estão em
ti e inclinam-se.
Bebo, na clausura das tuas fontes, uma sede antiquíssima.
Doce e cruel é setembro.
Dolorosamente cego, fechado sobre a tua boca.


O Verão

José Agostinho Baptista



Nascemos para amar




Nascemos para Amar

Nascemos para amar; a Humanidade 

Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura. 
Tu és doce atractivo, ó Formosura, 
Que encanta, que seduz, que persuade. 


Enleia-se por gosto a liberdade; 

E depois que a paixão na alma se apura, 
Alguns então lhe chamam desventura, 
Chamam-lhe alguns então felicidade. 

Qual se abisma nas lôbregas tristezas, 
Qual em suaves júbilos discorre, 
Com esperanças mil na ideia acesas. 

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre: 
E, segundo as diversas naturezas, 
Um porfia, este esquece, aquele morre. 



Bocage

Gota de Água


Gota de Água


Eu, quando choro, 
não choro eu. 
Chora aquilo que nos homens 
em todo o tempo sofreu. 
As lágrimas são as minhas 
mas o choro não é meu.


António Gedeão



Sentir tudo de todas as maneiras, num só momento


"(...)
Sentir tudo de todas as maneiras, 
Viver tudo de todos os lados, 
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo, 
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos 
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.
 (...) "



Lágrima de preta



Lágrima de preta





Encontrei uma preta 

que estava a chorar, 
pedi-lhe uma lágrima 
para a analisar. 

Recolhi a lágrima 
com todo o cuidado 
num tubo de ensaio 
bem esterilizado. 

Olhei-a de um lado, 
do outro e de frente: 
tinha um ar de gota 
muito transparente. 

Mandei vir os ácidos, 
as bases e os sais, 
as drogas usadas 
em casos que tais. 

Ensaiei a frio, 
experimentei ao lume, 
de todas as vezes 
deu-me o que é costume: 

nem sinais de negro, 
nem vestígios de ódio. 
Água (quase tudo) 
e cloreto de sódio. 




António Gedeão


A amizade é como as estrelas...





A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro.
 (Platão)


A amizade é como as estrelas. 

Não as vemos a toda hora, mas sabemos que existem.
 (Marina de Almeida Camargo)

A amizade é um amor que nunca morre.
 (Mário Quintana)



A amizade é um comércio desinteressado entre semelhantes.

 (Oliver Goldsmith)

A amizade multiplica as coisas boas e divide as más.
(Baltasar Gracián)

A amizade não consiste em apoiar os amigos quando eles têm razão, mas quando erram.
(Malraux)

A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se: é uma virtude.
 (Simone Weil)

A amizade pode existir entre as pessoas mais desiguais. Ela as torna iguais.

 (Aristóteles)


A amizade sempre é proveitosa, o amor às vezes é.
 (Seneca)

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