Geração DesenRascaDa...



Poesia de intervenção: hip hop

muito cool e bué da fixe!!!

Walid El Sayed - Sou da geração do basta

 poesia sobre os Filhos da p*iiii....



Cale-se... Cálice!


"Época de opressão, tortura, choro... Época de união, ir a luta, ideais..."

Na luta pela Liberdade de expressão...
In the struggle for freedom of expression ...


CÁLICE  significava sob a censura política... CALE-SE!!! 

Goblet meant under the censorship ... SHUT UP!


ปิด
Callate
σκάσε

đóng cửa lên
シャットダウン
den Mund halten
заткнись
chiudere
þegja
be quiet...

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguem me esqueça


Cálice na voz única e divinal de Maria Bethânia, numa Composição de Chico Buarque e Gilberto Gil.

Há Palavras Que Nos Beijam




Cristina Branco  canta versos de Alexandre O'Neill

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.


Há palavras que nos beijam

Alexandre O'Neill

Ceifeiras



Colheita - Ceifeiras



c. 1893, óleo sobre tela 90,5 x 120,3 cm
Museu Nacional de Soares dos Reis 
Porto, Portugal



António Carvalho de Silva Porto

(1850-1893)

Nos olhos de minha Mãe...



Quando eu nasci, 

ficou tudo como estava, 

Nem homens cortaram veias, 

nem o Sol escureceu, 

nem houve Estrelas a mais... 

Somente, 

esquecida das dores, 

a minha Mãe sorriu e agradeceu. 

Quando eu nasci, 

não houve nada de novo 

senão eu. 

As nuvens não se espantaram, 

não enlouqueceu ninguém... 

P'ra que o dia fosse enorme, 

bastava 

toda a ternura que olhava 

nos olhos de minha Mãe...





Pequeno poema
Sebastião Da Gama

Porque os outros se mascaram mas tu não




Porque os outros se mascaram mas tu não 
Porque os outros usam a virtude 
Para comprar o que não tem perdão. 
Porque os outros têm medo mas tu não. 
Porque os outros são os túmulos caiados 
Onde germina calada a podridão. 
Porque os outros se calam mas tu não. 

Porque os outros se compram e se vendem 
E os seus gestos dão sempre dividendo. 
Porque os outros são hábeis mas tu não. 

Porque os outros vão à sombra dos abrigos 
E tu vais de mãos dadas com os perigos. 
Porque os outros calculam mas tu não.





Sophia De Mello Breyner Andresen




Contigo aprendi coisas tão simples


Contigo aprendi coisas tão simples

Contigo aprendi coisas tão simples como
a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhastes súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do te dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente


Ruy Belo


Porque o sagrado existe




Invento-te

a cada segundo
do meu corpo

porque o tempo não pára

Celebro-te

em cada respirar
da minha saudade

porque Deus me ensinou a amar

Beijo-te

como seara ao vento
transformada em pão

porque estou faminto de ti

Amo-te

em cada sonho
porque o sagrado existe

e num orgasmo uno de paixão
subo aos céus em teu templo nu

Desço 
à dura realidade
e sorrio

porque 
cada sonho meu

é
um pedaço de TI





Afonso Rocha

Camané - Triste Sorte



"Triste Sorte" Camané - Ao Vivo No Coliseu

Composição:
Letra :João Ferreira Rosa
Musica : Alfredo Marceneiro.

Ando na vida à procura
De uma noite menos escura
Que traga luar do céu
De uma noite menos fria
Em que não sinta agonia
De um dia a mais que morreu


Vou cantando amargurado
Vou de um fado a outro fado
Que fale de um fado meu
Meu destino assim cantado
Jamais pode ser mudado
Porque do fado sou eu


Ser fadista é triste sorte
Que nos faz pensar na morte
E em tudo o que em nós morreu
Andar na vida à procura
De uma noite menos escura
Que traga luar do céu



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